Brasil Hostil: Simulação Macabra sobre a Eliminação da Dissidência
Brasil Hostil
Data:
13/04/2019
Assunto:
Simulação Macabra sobre a Eliminação da Dissidência
Pré-requisitos:
Aritmética básica e Little Data
Foto:
Trem de deportação? De refugiados? O Criptotrem da Morte?
E aí, Brasilidade Cordial?
É hora de conversar sobre o que já está disponível e o que mais seria necessário para que Torturadores da Nação consigam eliminar a oposição política e implantar um regime para um “rebanho” zumbificado em estado de choque.
É mesmo possível que isso aconteça ou esses discursos são apenas uma estratégia de terror social ou ideologia delirante?
Segue um panorama distópico da situação da insegurança digital e vigilância de massa no país com sugestões de como resistir de forma solidária.
Solução Final pela eliminação de pelo menos 30 mil pessoas “indesejadas”:
"Só vai mudar, infelizmente, quando nós partirmos para
uma guerra civil aqui dentro. E fazendo um trabalho que
o regime militar não fez, matando uns 30 mil!
Começando com FHC! Não deixa ele de fora não!"
-- Jair 99
“Se nós errarmos, aquele pessoal volta e nunca mais sai.
E quem vai ter que sair seremos nós. E vai faltar toco
de bananeira para nós nadarmos até a África ou até os
Estados Unidos. Não queremos isso para o nosso Brasil.
Muito, mas muito mais grave que a corrupção é a questão
ideológica. Vocês sabem muito bem disso”
-- Jair 2018
“O Brasil não é um terreno aberto onde nós pretendemos
construir coisas para o nosso povo. Nós temos é que
desconstruir muita coisa. Desfazer muita coisa.
Para depois nós começarmos a fazer. Que eu sirva para
que, pelo menos, eu possa ser um ponto de inflexão,
já estou muito feliz”
-- Jair 2019
Criada nos EUA logo após a Segunda Guerra Mundial com tom anticomunista.
Introduzida no Brasil pelos militares na década de 1950 na Escola Superior de Guerra.
Estabelece o conceito de Inimigo Interno.
Adota um Paradigma Imunológico do Século XX.
Doutrina do Choque
Conceito formulado por Naomi Klein num livro sobre Capitalismo de Desastre.
A função principal da tortura não é extrair a verdade – como defendida pelos torturadores –, mas destruir uma pessoa para que seja possível construir qualquer coisa no lugar
A tortura social tem a mesma função: choque econômico ou comportamental para impedir qualquer reação e implementar qualquer tipo de reajuste estrutural numa sociedade.
Os eventuais “inimigos externos” (como o globalismo e o multiculturalismo) não “colaram” aqui hoje como discurso de extrema direita tanto quanto o dos internos.
No entanto, imigrantes no Brasil estão apreensivos(as) sobre o que pode acontecer e já existem relatos de hostilidades (exemplo: Médicos Cubanos(as)).
Os inimigos declarados
Bandidos “genéricos” (traficas, crimes ao patrimônio, etc).
“Corruptos” (isto é, que estão fora da patota deles).
“Comunistas” (na acepção mais genérica possível, “marxismo cultural”).
Ou, resumidamente: pobres e oposição…
Eliminação no jogo político
Das muitas necessidades humanas básicas (que na maioria das vezes hoje ainda não privilégios), selecionaremos apenas algumas para facilitar nossa análise.
Vamos considerar que a participação política se degrada conforme estes atributos são retirados de uma pessoa. Exemplos:
Bem estar físico-psicológico (saúde).
Disponibilidade de tempo, energia e outros recursos importantes para a participação política.
Liberdade de expressão e pensamento.
Liberdade de movimento.
Estar viva(o).
Morte Súbita
Nesta simulação, só iremos considerar ataques que levem à morte ou à prisão.
Outras formas mas “soft” de violência podem ser consideradas.
Agressões (estupro); bullying nas redes sociais.
Lawfare (enxurrada de processos), desemprego…
Opressão diária da vida dura: mais valia, caos urbano, intoxicação…
Qualquer coisa que inviabilize a participação política.
Brasil “Normal” - Capacidade Instalada
Indicadores de violência (homicídios, estupros, etc) e ranking mundial.
É só cruzar isso com a base da Receita Federal e bum! Endereço de residência (localização fixa) e CPF.
Com CPF é possível fazer uma busca nas operadoras de telefonia e obter a localização de usuário em tempo real.
Agrupamento por localidade permite operações para deter indivíduos de interesse.
E lógico: o que é possível fazer oficialmente é totalmente viável de se fazer extra-oficialmente.
Estudo de Caso - Como assim?
Esse tipo de informação não é apenas de conhecimento do Estado, como é disponibilizado publicamente!
Uma Lei de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) não deveria também dar conta disto?
Metodologias Ágeis
Antes de pensar em como a capacidade pode ser aumentada, que tal sacar as formas mais manjadas de eliminação?
Das mais estruturadas…
Totalitarismo:
Alemanha Nazista - 6 milhões só no Holocausto: extermínio em escala industrial após um grande censo; para os nazis, era fundamental criar critérios objetivos e censitários para não eliminar “erroneamente”.
Estalinismo - o Arquipélago Gulag - entre 600 mil e 1,2 milhões de mortes, centenas de milhares de presos.
… às mais caóticas
Khmer Vermelho: entre 1,5 e 3 milhões de pessoas assassinadas (~ 25% da população).
Massacre a la Indonésia ’65 (Vide “The Act Of Killing”), apoiado pelos EUA: cerca de 1 milhão de pessoas.
Ruanda ’94 (Vide “Hotel Rwanda”): 500 mil a 1 milhão.
Genocídio Ameríndio conforme narrado por Las Casas: milhões, porém difícil estimar um número.
E no Brasil?
Nos encaminhamos pra um paradigma misto entre o massacre “ordenado” do totalitarismo (“açougue industrial automatizado”) e o caótico (“carniceria tropical”)?
Da Clevelândia no Oiapoque…
Campo de Concentração para Presos Políticos no governo do Presidente Arthur Bernardes, lembra?
Funcionou a partir de 1924, mantendo operários e/ou anarquistas em péssimas condições.
Dos 924 presos internados entre 1924 e 1927, 491 morreram
Como e quanto o país pode aumentar sua capacidade de eliminação?
É preciso atenção no crescimento das taxas citadas (homicídios, operações policiais, presídios, desaparecimentos).
Siga o dinheiro e investimentos! Não é preciso um aumento muito grande de investimentos para incrementar o Chacinômetro e ou Cadeiômetro e bater a meta…
Dificuldades de acesso a informações de governo (sigilo ou destruição de dados) dificultam a simulação.
Brasil Hostil - Tunando a Capacidade
Se o governo não tiver grana suficiente, terceirize para “Patrulhas de Linchamento” não-oficiais: muito mais barato, caótico e difícil de responsabilizar! Discursos de ódio vindos de líderes do governo encorajam e “autorizam” a atuação de gangues e lobos solitários.
Profecia Autorrealizável: corte programas sociais; a criminalidade aumenta; aí então sente o aço pra valer.
Semeie terroristas: torne as condições de vida tão insuportáveis que a juventude não vai ter dúvidas de revidar violentamente.
Algumas das Medidas de Detonação
Estatuto do Armamento: mais armas, mais corpos estendidos.
Pacote Anticrime: mais tipos criminosos, mais presos.
Aumento da cibervigilância, disseminação do reconhecimento facial: aumento de suspeitos para serem averiguados.
PL 9808/2018 - “Acrescenta os parágrafos 5° e 6º ao art. 10 da Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014, para dispor sobre o acesso a dados de comunicação por meio de aplicativos de internet para fins de persecução criminal, nos casos que especifica”.
Ué, mas o WhatsApp não tem criptografia ponta-a-ponta?
É possível implementar chave de custódia, sem violar a e2e do Protocolo Signal, bastando adicionar um recipiente interno do WhatsApp para qualquer comunicação de interesse.
É possível, ainda, que a plataforma forneça os metadados às autoridades, via Marco Civil (art. 15 da Lei 12965/2019) e/ou Lei do Grampo (Lei 9296/1998).
O WhatsApp passa a ser, além de disseminador relâmpago de informações falsas, o paraíso dos espiões computadorizados.
“Criação da figura do cidadão colaborador, como ocorre em diversos países com a finalidade de incentivar o auxílio nas investigações.”
Identificação Total
Guerra declarada ao anonimato, mas se recorre a ele o tempo todo. Uma desova é um ato anônimo… quem assina a “obra” de uma chacina?
Pela Nova Doutrina de Segurança Nacional, só devem existir dois tipos de pessoa: físicas (CPF) e jurídicas (CNPJ); pessoas não-identificadas devem ser eliminadas; pessoas eliminadas não devem ser identificadas.
Os Cem Olhos de Argo
ABIN/GSI.
Ministério da Justiça: PF, Coaf.
MPF
Receita Federal, Banco Central.
Agências: ANS, Anatel.
Polícias e ação integrada (SUSP/PNSPDS); Exército.
Sopa de letrinhas recente nos Diários Oficiais…
Alvos
Momento da contagem de corpos!
Tier 0: famosos, políticos influentes, pessoas incômodas: via jurídica, ameaças, expulsão ou assassinato. Já expurgados pelo novo regime: Lula, Marielle, Moa do Catende, Debora Diniz, Jean Wyllys, Márcia Tiburi, Cesare Battisti, Sabrina Bittencourt… quem mais?
Tier 1: operações de pequena e média escala.
Tier 2: prisões e eliminações em massa.
Fases
São etapas cumulativas!
Fase 0: cruzada jurídica e eliminações esporádicas.
Fase 1: aumento agressivo do arcabouço legal da repressão (etapa atual).
Fase 2: choque em massa (econômico, social e político).
Análise
Fatores Limitantes
Saber quem é dissidente hoje é muito mais fácil. A informação já está disponível e só precisa de uns poucos cruzamentos.
No entanto, o governo está limitado em sua capacidade e é inibido por fatores limitantes, como a opinião pública nacional e internacional.
Regras Empíricas Básicas - Limites
Os expurgos precisam operar dentro de certos limites, do contrário a desestabilização do país azeda os planos de dominação econômica. Parte dos milicos e da elite sabem disso. A outra parte tá batendo o pino a la Dr. Strangelove e General Ripper.
Regras Empíricas Básicas - Funcionalidade
É preciso ter um país minimamente funcional para que seja possível explorar até a exaustão.
O regime atual não é tão requintado para selecionar alvos com precisão. Há grande chance dos expurgos ocorrerem mais na brutalidade e ignorância estilo “pé na porta”. Até como negação plausível a la “Navalha de Hanlon”: difícil dizer o que é incompetência e o que é malícia. Isso pode ser usado para mascarar a eficiência do método.
Regras Empíricas Básicas - Paradigmas
Há o grande perigo do alinhamento da herança maldita (“terra e sangue”) com a assepsia do tecnototalitarismo capitalista (“racionalidade”), cujo maior exemplo foi o Terceiro Reich.
É o encontro do Brasil Profundo com a Disrupção do Capitalismo de Vigilância.
Regras Empíricas Básicas - Regime
O modelo do regime da atual Junta Militar brasileira é muito mais parecido com o Chile de Pinochet: Ultraliberalismo econômico e subserviência total aos EUA.
Agora, da mesma forma como o Chile foi o laboratório americano e britânico para o neoliberalismo, o Brasil pode ser o laboratório para o ultraliberalismo policial.
O melhor cenário para eles é governar mantendo um aspecto de democracia.
Regras Empíricas Básicas - Formas
A eliminação não se dá apenas para oponentes que ofereçam perigo real: o perigo pode ser imaginário e o incômodo apenas mental.
Abordagem do Caranguejo na Panela Quente: morte lenta que ninguém percebe. Retire aos poucos, prenda aos poucos, não faça alarde.
Regras Empísicas Básicas - Psywar
O sucesso da eliminação depende da construção de uma narrativa que a suporte, produzindo mudanças na opinião pública.
Ciclo de Dispossessão (Shoshana Zuboff, The Age of Surveillance Capitalism): incursão, adaptação, habituação e redireção (ou normalização).
Totalitarismo versus Instrumentarianismo: ambos os modelos podem coexistir. Dá pra fazer o modelo da Zuboff conversar com o da Naomi Klein e o de Hannah Arendt.
Desconstruindo o Brasil: do delírio à pós-realidade
O discurso ideológico do governo atual é de desconstrução da nação ao indivíduo.
A destruição não exige competência, porém deve haver alguma para que a detonação não seja tão detectável ou relacionada ao desgoverno.
É o mesmo discurso da tortura física/psicológica/econômica como desconstrução de militantes políticos ou de toda uma sociedade.
Resumo - Argumentação Principal - 2
Acréscimos na taxa de eliminação de pessoas só serão eficazes na manutenção das desigualdades se não forem detectadas como tal pela sociedade.
Para isso é preciso que a taxa opere dentro de certos limites (desconhecidos), que a eliminação não seja um processo amplamente noticiado e que haja um discurso que confunda ou justifique aquilo que for descoberto.
Resumo - Argumentação Principal - 3
Um aumento de 30 mil pessoas mortas num único mandato presidencial implica em taxas de homícidio crescendo 7,5 a mais do que a taxa corrente. Um aumento desse tipo é facilmente detectável porém pode passar “desapercebido” pela sociedade como uma política intencional de Estado.
No entanto, a dissidência é muito maior do que 30 mil pessoas. E, mesmo que desapareça, ela ressurge naturalmente, do “zero”.
Resumo - Argumentação Principal - 4
Taxas de eliminação (prisão, homicídio, deportação, inutilização) que possam significativamente eliminar a dissência seriam facilmente percebidas pela população, podem desencadear uma guerra civil.
Uma guerra civil complicaria demais a extração de recursos e commodities do país, produzindo um apêndice local disfuncional dentro do mercado internacional.
O interesse das Elites locais e globais envolvidas é permitir a desmontagem do Estado, não a guerra civil.
Resistindo
Como contrariar as estatísticas?
Redes de Solidariedade e Educação.
Redes de Coleta e Salvamento de Dados.
Quando temos informação de qualidade e capacidade analítica, fica difícil esconder as dinâmicas sociais.
Quando nutrimos relações solidárias entre as pessoas, fica muito mais difícil destruir o tecido social.