Brasil Hostil: Simulação Macabra sobre a Eliminação da Dissidência

Brasil Hostil

Data:
13/04/2019

Assunto:
Simulação Macabra sobre a Eliminação da Dissidência

Pré-requisitos:
Aritmética básica e Little Data

Foto:
Trem de deportação? De refugiados? O Criptotrem da Morte?

E aí, Brasilidade Cordial?

  • É hora de conversar sobre o que já está disponível e o que mais seria necessário para que Torturadores da Nação consigam eliminar a oposição política e implantar um regime para um “rebanho” zumbificado em estado de choque.

  • É mesmo possível que isso aconteça ou esses discursos são apenas uma estratégia de terror social ou ideologia delirante?

  • Segue um panorama distópico da situação da insegurança digital e vigilância de massa no país com sugestões de como resistir de forma solidária.

Motivação

  • Plano de Autodefesa: https://plano.autodefesa.org.
  • Feito para escala pessoal ou pequenas e médias organizações.
  • Modelo de Ameaça Nacional: o que podemos descobrir se aumentarmos a escala de abordagem para incluir parte da população de um país?

Mas…

  • Este é apenas um experimento mental especulativo.
  • Com vários limites de informação e conhecimento.
  • É o que tem pra hoje. Ciência precária à beira do abismo.
  • Mesmo assim, já pode nos ajudar muito.

Desmotivação

  • Já está acontecendo, e não é de hoje…
  • Foto: #80tiros (Jornal Nacional).

Roteiro da Simulação

  1. Fundamentação: qual motivo da simulação?
  2. Capacidade Instalada: oferta atual de extermínio.
  3. Demanda: quantidade de dissidentes.
  4. Aumento da oferta para suprir a demanda.
  5. Análise.
  6. Como resistir.

Fundamentação

O Sociopata 00 - 1999

Solução Final pela eliminação de pelo menos 30 mil pessoas “indesejadas”:

"Só vai mudar, infelizmente, quando nós partirmos para
 uma guerra civil aqui dentro. E fazendo um trabalho que
 o regime militar não fez, matando uns 30 mil!
 Começando com FHC! Não deixa ele de fora não!"

-- Jair 99

Fonte: BBC Brasil.

O Sociopata 00 - 2018

Única tentativa:

“Se nós errarmos, aquele pessoal volta e nunca mais sai.
 E quem vai ter que sair seremos nós. E vai faltar toco
 de bananeira para nós nadarmos até a África ou até os
 Estados Unidos. Não queremos isso para o nosso Brasil.
 Muito, mas muito mais grave que a corrupção é a questão
 ideológica. Vocês sabem muito bem disso”

-- Jair 2018

Fonte: Revista Forum.

O Sociopata 00 - 2019

Desconstrução do Brasil:

“O Brasil não é um terreno aberto onde nós pretendemos
 construir coisas para o nosso povo. Nós temos é que
 desconstruir muita coisa. Desfazer muita coisa.
 Para depois nós começarmos a fazer. Que eu sirva para
 que, pelo menos, eu possa ser um ponto de inflexão,
 já estou muito feliz”

-- Jair 2019

Fonte: O Globo, 18/03/2019.

Doutrina de Segurança Nacional

  • Criada nos EUA logo após a Segunda Guerra Mundial com tom anticomunista.
  • Introduzida no Brasil pelos militares na década de 1950 na Escola Superior de Guerra.
  • Estabelece o conceito de Inimigo Interno.
  • Adota um Paradigma Imunológico do Século XX.

Doutrina do Choque

  • Conceito formulado por Naomi Klein num livro sobre Capitalismo de Desastre.

  • A função principal da tortura não é extrair a verdade – como defendida pelos torturadores –, mas destruir uma pessoa para que seja possível construir qualquer coisa no lugar

  • A tortura social tem a mesma função: choque econômico ou comportamental para impedir qualquer reação e implementar qualquer tipo de reajuste estrutural numa sociedade.

  • Foto: G1.

Mas e os Inimigos Externos?

  • Os eventuais “inimigos externos” (como o globalismo e o multiculturalismo) não “colaram” aqui hoje como discurso de extrema direita tanto quanto o dos internos.

  • No entanto, imigrantes no Brasil estão apreensivos(as) sobre o que pode acontecer e já existem relatos de hostilidades (exemplo: Médicos Cubanos(as)).

Os inimigos declarados

  • Bandidos “genéricos” (traficas, crimes ao patrimônio, etc).
  • “Corruptos” (isto é, que estão fora da patota deles).
  • “Comunistas” (na acepção mais genérica possível, “marxismo cultural”).

Ou, resumidamente: pobres e oposição…

Eliminação no jogo político

Das muitas necessidades humanas básicas (que na maioria das vezes hoje ainda não privilégios), selecionaremos apenas algumas para facilitar nossa análise.

Vamos considerar que a participação política se degrada conforme estes atributos são retirados de uma pessoa. Exemplos:

  1. Bem estar físico-psicológico (saúde).
  2. Disponibilidade de tempo, energia e outros recursos importantes para a participação política.
  3. Liberdade de expressão e pensamento.
  4. Liberdade de movimento.
  5. Estar viva(o).

Morte Súbita

  • Nesta simulação, só iremos considerar ataques que levem à morte ou à prisão.
  • Outras formas mas “soft” de violência podem ser consideradas.
  • Agressões (estupro); bullying nas redes sociais.
  • Lawfare (enxurrada de processos), desemprego…
  • Opressão diária da vida dura: mais valia, caos urbano, intoxicação…
  • Qualquer coisa que inviabilize a participação política.

Brasil “Normal” - Capacidade Instalada

  • Indicadores de violência (homicídios, estupros, etc) e ranking mundial.
  • Número de presídios.
  • Efetivo das polícias e exército.
  • Orçamento anual.
  • Trabalho integrado.
  • Gangues e milícias.
  • Máquina psicológica em operação.

Chacinômetro

Fonte: Atlas da Violência - 2018.

Brasil Brasileiro - Total de Presuntos

  • Comissão da Verdade (2014): 434 mortes e desaparecimentos nos porões na Tosqueadura de 1964-1985; fora genocídio indígena etc.
  • Taxa de Homicídios: ~29 mortes / 100 mil pessoas em 2016 (Nações Unidas).
  • Total de Homicídios: 62.517 em 2016, ~1200/semana (Atlas da Violência, 2018).
  • Corresponde a 0,031% anuais de uma população de 200 milhões.
  • Esta taxa não produz comoção nacional!

Avante Brasil! Quadro Comparativo

  • No Ranking Mundial do Saco Preto: oitavo colocado! Fonte: Banco Mundial.
  • Difícil saber o que é morte causada ou não pela polícia (apenas 4222 reportadas em 2016).
  • Na taxa atual, o Brasil produzirá “naturalmente”, “lentamente”, um Holocausto Nazista a cada 100 anos, focado na população jovem, negra, pobre…
  • Como será o Brasil Hostil de 2119?

Hipóteses

  • Com o fim da Ditadura, grupos de extermínio civil-militares passam a atuar como esquadrões da morte. Exemplo: livro “Nos Porões da Contravenção”.
  • É o surgimento das milícias: a Capacidade Instalada não se desinstala automaticamente.
  • Forma-se uma classe laboral corporativista, das sombras, que não admite largar suas armas.
  • Ela precisa, então, mudar de foco para se perpetuar.

Vamos aos Fatos

  • O Chacinômetro registra um aumento de 592,8.% nos homicídios entre 1980 e 2014 (Mapa da Violência - FLACSO, 2016).
  • Mas a população só cresceu uns 40% no período!
  • A Capacidade Instalada jamais se retrai.
  • Ela cresce tendencialmente, mesmo com algumas oscilações e retrações ano a ano. O processo é de crescimento não-linear.
  • O mesmo vale para aprisionamento.

Brasil Brasileiro - Enquadros

Fonte: Estatística de Operações da Polícia Federal.

Taxa de Aprisionamento

Prision Wordcup

  • Brasil: quarto país com mais gente presa: ~620 mil.
  • Déficit de vagas: ~250 mil.
  • Presos Provisórios: 40%.
  • Fonte: Infopen / DEPEN / CNJ (não são os dados mais atuais).
  • No Ranking Mundial: quarto colocado!
  • Mandados de Prisão em Aberto: ~370 mil (CNJ 2014).

Brasil Brejeiro - Entulho Jurídico

  • Política Nacional de Inteligência (PNI).
  • LOC, ou Lei das Organizações Criminosas.
  • GLO, ou Garantia da Lei e da Ordem.
  • LSN, ou Lei de Segurança Nacional.
  • O Velho Código Penal.
  • OEs, vulgo Operações Extra-Oficiais.
  • Leis do Grampo, Azeredo / Dieckmann / Marco Civil.
  • Nova Lei Antiterrorismo.
  • Prisão Preventiva por tempo indeterminado.

Censo 2019

Como saber quem é dissidente no Brasil?

  • Figuras públicas e notórias (subestima).
  • Mapeamentos feitos pela própria sociedade (terceiro setor e ativistas) (subestima).
  • Resultado das urnas (superestima).
  • Tamanho da esquerda ativa: 1% da população? (subestima).
  • Estimativas de manifestantes nas ruas (subestima).
  • Vamos supor que seja um valor maior que 30 mil e menor do que 2 milhões.

Será que não tem uma maneira “precisa” de saber?

Estudo de Caso - Filiação Partidária

Isso aqui, noutros tempos, deixaria muita gente de cabelo em pé!

Filiados Dados Abertos

Fonte: Portal Brasileiro de Dados Abertos.

Filiados do PT

$ wc -l filiados_pt_sp.csv 
467554 filiados_pt_sp.csv

$ wc -l filiados_pt_mg.csv 
227784 filiados_pt_mg.csv

Estudo de Caso - Como fazer?

  • É só cruzar isso com a base da Receita Federal e bum! Endereço de residência (localização fixa) e CPF.
  • Com CPF é possível fazer uma busca nas operadoras de telefonia e obter a localização de usuário em tempo real.
  • Agrupamento por localidade permite operações para deter indivíduos de interesse.
  • E lógico: o que é possível fazer oficialmente é totalmente viável de se fazer extra-oficialmente.

Estudo de Caso - Como assim?

  • Esse tipo de informação não é apenas de conhecimento do Estado, como é disponibilizado publicamente!
  • Uma Lei de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) não deveria também dar conta disto?

Metodologias Ágeis

Antes de pensar em como a capacidade pode ser aumentada, que tal sacar as formas mais manjadas de eliminação?

Das mais estruturadas…

Totalitarismo:

  • Alemanha Nazista - 6 milhões só no Holocausto: extermínio em escala industrial após um grande censo; para os nazis, era fundamental criar critérios objetivos e censitários para não eliminar “erroneamente”.
  • Estalinismo - o Arquipélago Gulag - entre 600 mil e 1,2 milhões de mortes, centenas de milhares de presos.

… às mais caóticas

  • Khmer Vermelho: entre 1,5 e 3 milhões de pessoas assassinadas (~ 25% da população).
  • Massacre a la Indonésia ’65 (Vide “The Act Of Killing”), apoiado pelos EUA: cerca de 1 milhão de pessoas.
  • Ruanda ’94 (Vide “Hotel Rwanda”): 500 mil a 1 milhão.
  • Genocídio Ameríndio conforme narrado por Las Casas: milhões, porém difícil estimar um número.

E no Brasil?

Nos encaminhamos pra um paradigma misto entre o massacre “ordenado” do totalitarismo (“açougue industrial automatizado”) e o caótico (“carniceria tropical”)?

Da Clevelândia no Oiapoque…

  • Campo de Concentração para Presos Políticos no governo do Presidente Arthur Bernardes, lembra?
  • Funcionou a partir de 1924, mantendo operários e/ou anarquistas em péssimas condições.
  • Dos 924 presos internados entre 1924 e 1927, 491 morreram
  • Não foi o único lugar do tipo no país…
  • Foto: EBC.

… à Guantánamo Carioca

Fontes: 1, 2

É aqui que termina o Brasil?

Pra não dizer que não falei dos verdes

Soft no topo, hard embaixo:

"O Brasil precisa de um cavaleiro com mão de seda,
 cintura de borraca e perna de aço."

-- General Mourão, 2018

Fonte: Revista Piauí no. 147, 12/2018.

Brasil Hostil - Turbinando a Capacidade

  • Como e quanto o país pode aumentar sua capacidade de eliminação?

  • É preciso atenção no crescimento das taxas citadas (homicídios, operações policiais, presídios, desaparecimentos).

  • Siga o dinheiro e investimentos! Não é preciso um aumento muito grande de investimentos para incrementar o Chacinômetro e ou Cadeiômetro e bater a meta…

  • Dificuldades de acesso a informações de governo (sigilo ou destruição de dados) dificultam a simulação.

Brasil Hostil - Tunando a Capacidade

  • Se o governo não tiver grana suficiente, terceirize para “Patrulhas de Linchamento” não-oficiais: muito mais barato, caótico e difícil de responsabilizar! Discursos de ódio vindos de líderes do governo encorajam e “autorizam” a atuação de gangues e lobos solitários.

  • Profecia Autorrealizável: corte programas sociais; a criminalidade aumenta; aí então sente o aço pra valer.

  • Semeie terroristas: torne as condições de vida tão insuportáveis que a juventude não vai ter dúvidas de revidar violentamente.

Algumas das Medidas de Detonação

  • Estatuto do Armamento: mais armas, mais corpos estendidos.

  • Pacote Anticrime: mais tipos criminosos, mais presos.

  • Aumento da cibervigilância, disseminação do reconhecimento facial: aumento de suspeitos para serem averiguados.

  • Novas e velhas bases de dados sendo integradas..

WhatsApp

Ué, mas o WhatsApp não tem criptografia ponta-a-ponta?

  • É possível implementar chave de custódia, sem violar a e2e do Protocolo Signal, bastando adicionar um recipiente interno do WhatsApp para qualquer comunicação de interesse.

  • É possível, ainda, que a plataforma forneça os metadados às autoridades, via Marco Civil (art. 15 da Lei 12965/2019) e/ou Lei do Grampo (Lei 9296/1998).

  • O WhatsApp passa a ser, além de disseminador relâmpago de informações falsas, o paraíso dos espiões computadorizados.

Bizarrices

Identificação Total

  • Guerra declarada ao anonimato, mas se recorre a ele o tempo todo. Uma desova é um ato anônimo… quem assina a “obra” de uma chacina?

  • Pela Nova Doutrina de Segurança Nacional, só devem existir dois tipos de pessoa: físicas (CPF) e jurídicas (CNPJ); pessoas não-identificadas devem ser eliminadas; pessoas eliminadas não devem ser identificadas.

Os Cem Olhos de Argo

  • ABIN/GSI.
  • Ministério da Justiça: PF, Coaf.
  • MPF
  • Receita Federal, Banco Central.
  • Agências: ANS, Anatel.
  • Polícias e ação integrada (SUSP/PNSPDS); Exército.
  • Sopa de letrinhas recente nos Diários Oficiais…

Alvos

Momento da contagem de corpos!

  • Tier 0: famosos, políticos influentes, pessoas incômodas: via jurídica, ameaças, expulsão ou assassinato. Já expurgados pelo novo regime: Lula, Marielle, Moa do Catende, Debora Diniz, Jean Wyllys, Márcia Tiburi, Cesare Battisti, Sabrina Bittencourt… quem mais?

  • Tier 1: operações de pequena e média escala.

  • Tier 2: prisões e eliminações em massa.

Fases

São etapas cumulativas!

  • Fase 0: cruzada jurídica e eliminações esporádicas.
  • Fase 1: aumento agressivo do arcabouço legal da repressão (etapa atual).
  • Fase 2: choque em massa (econômico, social e político).

Análise

Fatores Limitantes

  • Saber quem é dissidente hoje é muito mais fácil. A informação já está disponível e só precisa de uns poucos cruzamentos.

  • No entanto, o governo está limitado em sua capacidade e é inibido por fatores limitantes, como a opinião pública nacional e internacional.

Regras Empíricas Básicas - Limites

  • Os expurgos precisam operar dentro de certos limites, do contrário a desestabilização do país azeda os planos de dominação econômica. Parte dos milicos e da elite sabem disso. A outra parte tá batendo o pino a la Dr. Strangelove e General Ripper.

Regras Empíricas Básicas - Funcionalidade

  • É preciso ter um país minimamente funcional para que seja possível explorar até a exaustão.

  • O regime atual não é tão requintado para selecionar alvos com precisão. Há grande chance dos expurgos ocorrerem mais na brutalidade e ignorância estilo “pé na porta”. Até como negação plausível a la “Navalha de Hanlon”: difícil dizer o que é incompetência e o que é malícia. Isso pode ser usado para mascarar a eficiência do método.

Regras Empíricas Básicas - Paradigmas

  • Há o grande perigo do alinhamento da herança maldita (“terra e sangue”) com a assepsia do tecnototalitarismo capitalista (“racionalidade”), cujo maior exemplo foi o Terceiro Reich.

  • É o encontro do Brasil Profundo com a Disrupção do Capitalismo de Vigilância.

Regras Empíricas Básicas - Regime

  • O modelo do regime da atual Junta Militar brasileira é muito mais parecido com o Chile de Pinochet: Ultraliberalismo econômico e subserviência total aos EUA.

  • Agora, da mesma forma como o Chile foi o laboratório americano e britânico para o neoliberalismo, o Brasil pode ser o laboratório para o ultraliberalismo policial.

  • O melhor cenário para eles é governar mantendo um aspecto de democracia.

Regras Empíricas Básicas - Formas

  • A eliminação não se dá apenas para oponentes que ofereçam perigo real: o perigo pode ser imaginário e o incômodo apenas mental.

  • Abordagem do Caranguejo na Panela Quente: morte lenta que ninguém percebe. Retire aos poucos, prenda aos poucos, não faça alarde.

Regras Empísicas Básicas - Psywar

  • O sucesso da eliminação depende da construção de uma narrativa que a suporte, produzindo mudanças na opinião pública.

  • Ciclo de Dispossessão (Shoshana Zuboff, The Age of Surveillance Capitalism): incursão, adaptação, habituação e redireção (ou normalização).

  • Totalitarismo versus Instrumentarianismo: ambos os modelos podem coexistir. Dá pra fazer o modelo da Zuboff conversar com o da Naomi Klein e o de Hannah Arendt.

Não esqueça de falar de moda!

Alegre, descontraído e casual. Fonte: Blog do Paulo Sampaio.

Comportamento

Após festa acusada de racismo, Donata Meirelles pede demissão da Vogue.

Resumo

Desconstruindo o Brasil: do delírio à pós-realidade

  • O discurso ideológico do governo atual é de desconstrução da nação ao indivíduo.

  • A destruição não exige competência, porém deve haver alguma para que a detonação não seja tão detectável ou relacionada ao desgoverno.

  • É o mesmo discurso da tortura física/psicológica/econômica como desconstrução de militantes políticos ou de toda uma sociedade.

Resumo - Argumentação Principal - 2

  • Acréscimos na taxa de eliminação de pessoas só serão eficazes na manutenção das desigualdades se não forem detectadas como tal pela sociedade.

  • Para isso é preciso que a taxa opere dentro de certos limites (desconhecidos), que a eliminação não seja um processo amplamente noticiado e que haja um discurso que confunda ou justifique aquilo que for descoberto.

Resumo - Argumentação Principal - 3

  • Um aumento de 30 mil pessoas mortas num único mandato presidencial implica em taxas de homícidio crescendo 7,5 a mais do que a taxa corrente. Um aumento desse tipo é facilmente detectável porém pode passar “desapercebido” pela sociedade como uma política intencional de Estado.

  • No entanto, a dissidência é muito maior do que 30 mil pessoas. E, mesmo que desapareça, ela ressurge naturalmente, do “zero”.

Resumo - Argumentação Principal - 4

  • Taxas de eliminação (prisão, homicídio, deportação, inutilização) que possam significativamente eliminar a dissência seriam facilmente percebidas pela população, podem desencadear uma guerra civil.

  • Uma guerra civil complicaria demais a extração de recursos e commodities do país, produzindo um apêndice local disfuncional dentro do mercado internacional.

  • O interesse das Elites locais e globais envolvidas é permitir a desmontagem do Estado, não a guerra civil.

Resistindo

Como contrariar as estatísticas?

  • Redes de Solidariedade e Educação.

  • Redes de Coleta e Salvamento de Dados.

  • Quando temos informação de qualidade e capacidade analítica, fica difícil esconder as dinâmicas sociais.

  • Quando nutrimos relações solidárias entre as pessoas, fica muito mais difícil destruir o tecido social.