Tendências Brasil Hostil para a Década de 20

Tendências Brasil Hostil para a Década de 20

"E essa agora que o General da intervenção disse que o
 Rio de Janeiro é um Laboratório para o Brasil?
 E nós somos as cobaias??? Absurdo!"

-- Marielle Franco, em mensagem de 27/02/18

"E eu sei quem são meus amigos eternos e quem são
 os eventuais. Os de gravatinha, que iam atrás de mim,
 agora desapareceram."

-- Lula, em seu discurso de 07/04/18

Recapitulando, mas sem capitular

Como estávamos?

  • Falamos sobre OPSEC - Segurança Operacional, dando ênfase na preparação para pessoas e grupos enfrentarem as dificuldades da vida e estarem à frente da repressão e desestabilização social.

Como estamos?

  • 2018: Brasil Hostil - Edição Intervenção Foderal.

  • Fim de muitos ciclos aqui e no mundo. Talvez até de grandes períodos sob a égide do Iluminismo ou do Renascimento.

  • Mas chega de prosa. Bora dar um giro?

Attention! Achtung! Attenzione! Atenção!

Recadinho do General para turistas
Recadinho do General para turistas

Mini-tour Brasil Hostil 2018 - Bordel

Ritual dos Sádicos no clube hedonista “Bahamas”
Ritual dos Sádicos no clube hedonista “Bahamas”

Mini-tour Brasil Hostil 2018 - Personalidades

Ministro da Defesa reverenciando o General
Ministro da Defesa reverenciando o General

Mini-tour Brasil Hostil 2018 - Emboscadas

Marielle: morte sem ameaças prévias
Marielle: morte sem ameaças prévias

Mini-tour Brasil Hostil 2018 - Moda

Trench Coat Militar
Trench Coat Militar

Mini-tour Brasil Hostil 2018 - Polvo

Kit Palhacitos
Kit Palhacitos

E o mundo em geral, a quantas desanda?

Zombie Nation
Zombie Nation

Tendências para a Década de 20

Em bom protuguês:

  • Elite local tentado dar o salto para se tornar elite global via privatização extrema e entreguismo; indícios de forte parceria entre o crime organizado do andar de cima e do de baixo (facções); e por aí vai. Um processo cheio de ruídos.

  • Estado de exceção permanente, Terror, necropolítica, pós-realidade. Muita gente vai rodar.

  • Fascismo de consumo em momento de recessão econômica.

  • Falta de narrativa que dê sentido à existência frente ao abismo.

  • Choque, luto, depressão, paralisia.

Então fodeu?

  • A canoa emborcou. Pode ser que amarguemos alguns anos até a próxima iteração.

  • Protestos e mobilizações passam por uma fase de esgotamento e insuficiência.

  • A janela histórica pode se abrir havendo comoção massiva.

  • Enquanto isso, estamos mais ou menos que por conta. Enquanto isso… bom… havendo vida há esperança.

Por onde (re-)começar?

  • O que a gente faz depois de sobreviver a uma avalanche?

  • Momento de estudo, maturação, fortalecimento, solidariedade, organização e luta.

  • A gente começa pequeno e cuida do básico essencial. Fazendo bem, a parada cresce.

  • No passado falamos muito de segurança. Agora nossa ênfase será na ideia de organização. E falaremos das organizações solidárias.

Solidariedade: egoísmo e altruísmo

O fundamento da solidariedade é a tensão dinâmica entre egoísmo (cuidar de si, receber cuidados) e altruísmo (cuidar de outrem, aceitar os cuidados de outrem). A isto chamaremos de ajuda mútua.

Afresco egípcio sobre segurança aérea, séc. XX D.C.
Afresco egípcio sobre segurança aérea, séc. XX D.C.

Os movimentos e os caminhos

  • A ajuda mútua pode ser a orientação básica para praticar e propagar formas de existência mais dignas.

  • Mas apenas essa orientação é insuficiente. Apenas a prática espontânea da ajuda também é insuficiente.

  • É necessária uma solidariedade além do meramente espontâneo e que gere algum acúmulo, um ganho organizativo que permita um salto, mesmo que lá na frente.

  • Precisamos de solidariedade organizada.

O que fazer?

  • Poderíamos buscar teorias progressistas para repensar no que fazer.

  • Mas aqui será proposta uma rota alternativa: voltar para um período de resistência ao totalitarismo e descobrir no que ele pode nos ajudar.

  • Começar dentro do possível para chegar ao impossível. Mas antes de falar da nossa década de 20, falemos sobre as décadas de 30 e 40 do século passado.

Rebobinando…

"Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me,
 porque, afinal, eu não era comunista.

 Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me,
 porque, afinal, eu não era social-democrata.

 Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei,
 porque, afinal, eu não era sindicalista.

 Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque,
 afinal, eu não era judeu.

 Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse."

-- Martin Niemöller

Naquela época…

  • O contexto tinha suas semelhanças.
  • Estávamos muito na merda. Fascismo crescendo. Totalitarismo.
  • No meio da bagunça aparece um estranho personagem…

Quem é este figura?

Apenas mais um gravatinha?
Apenas mais um gravatinha?

A nossa cartada

Agente secreto da Rede Marco Polo
Agente secreto da Rede Marco Polo

Naquele tempo, eram outros Cards

Cartão Perfurado
Cartão Perfurado

SIGSTOP, SIGKILL, HALT

Carmille operou em duas temporalidades:

  1. Urgência, curto prazo: salvar quem estava na berlinda. E fez isso em larga escala apenas parando a maquinaria sem que os alemães soubessem. A ação passiva Zen, a não-ação, desobediência.

  2. Organização, médio e longo prazo: tentar mobilizar o exército de reserva francês para ações futuras da Resistência.

  • Preso, torturado e depois enviado pro saco, não concluiu a segunda etapa do plano.

Uma lição dos tempos

  • Aproveitar a nossa condição, usando que temos disponível.
  • Não precisamos de super-heróis mártires: há um pouco a fazer para cada pessoa.
  • Em especial, descobrimos que a solidariedade, e não apenas a dominação, também é um empreendimento logístico-informacional!

As máquinas sociais dominadoras e as solidárias

  • Maquinário da Dominação: cartão perfurado, registro e rastreamento: mesquinharia contábil para controle, dominação e eliminação das pessoas. E dessa contagem que nasce a economia muquirana baseada na escassez. A questão de fundo é o medo egoísta da morte que exige extrair a vida de outrem a todo custo para tentar interromper o processo vital.

  • Na maquinaria solidária, as vidas estão entrelaçadas, de modo que uma pessoa tem sua liberdade enquanto outra também tiver. Estará bem conforme a outra também estiver.

As máquinas solidárias

  • O processo civilizador que vivemos tende a criar cada vez mais mediações/separações entre as pessoas.

  • Associações solidárias entre pessoas resgatam o contato humano direto e o compartilhamento da vida.

  • Organização: tensão entre o espontâneo e o planejado, entre o formal e o informal, entre a ordem e a desordem.

  • As máquinas solidárias são máquinas antifascistas!

Como fazer máquinas solidárias?

  • Se o primeiro passo era estar bem para poder ajudar, o segundo passo é partir para a prototipagem e construção de relações entre as pessoas.

  • Autodefesa: neutralização da ameaça, não necessariamente a sua aniquilação.

  • Máquinas solidárias podem surgir espontaneamente: pessoas se ajudando mutuamente sem combinarem previamente.

  • Não trataremos do que é espontâneo. Isso vou assumir de imediato. Vou justamente propor falar do que não é espontâneo, do que precisamos planejar e construir para que talvez um dia possa ser espontâneo. Tudo o que será dito é básico, mas por isso mesmo precisa ser dito.

Estimando seu fator solidário

De maneira pragmática, incompleta mas que serve pra saber “o que tem pra hoje”:

  1. O quanto você precisa dedicar do seu tempo e energia para você?
  2. O quanto você pode dedicar do seu tempo e energia para outras pessoas?

A partir disso, alguém pode estimar sua relação solidária: horas semanais e e intensidade de esforço, por exemplo.

Esferas de atuação

Onde e quanto você quer dispender seu tempo e energia disponíveis?

  • Família.
  • Amigos.
  • Vizinhança.
  • Colegas de trabalho.
  • Grupos de Afinidade.
  • Outros Movimentos Sociais Organizados.
  • Quem estiver perto.

Recursos disponíveis

No que você pode ajudar? O que você pode oferecer?

  • Calor humano?
  • Espaço para alguém dormir?
  • Artigos de dignidade básica? Comida, roupa, remédios, banheiro, local pra dormir…
  • Assistência profissional: jurídica, médica, psicológica…

Articulando a solidariedade

  • A ajuda mútua compõe redes de pessoas, ou tecido social.
  • As máquinas solidárias são teares orgânicos desse tecido.
  • Daí que o desafio de construir redes ajuda mútua que garantam um fortalecimento do tecido.
  • Eficiência, ganho de escala podem ser conceitos danosos e falaciosos.
  • Cuidado com o hype das novas tecnologias!
  • Simplexidade: a complexidade necessária.
  • Romper separação entre teoria e prática. Pesquisa-ação, pesquisa-luta.

Parametrização

  • Divisão de tarefas ou não? Revezar tarefas ou não?
  • Especialização ou generalização?
  • Horizontalidade ou verticalidade?
  • Gerência e passividade ou autogestão e iniciativa?
  • Tensão entre espontâneo e planejado.
  • Tensão entre tesão e necessidade.
  • O quanto planejar e o quanto deixar rolar? O quanto antecipar/preparar?
  • Topologia da rede, redundância, tolerância a falhas e crescimento.
  • Definição de princípios éticos pessoais e coletivos.
  • Redes: “casamento de impedâncias” / compatibilização protocolar de princípios.

Exemplos

  • Sugestões e dicas por onde começar. Para onde iremos, não faço a mínima ideia.
  • Tentando conceber formas de organização que funcionem na precariedade.
  • Se organizar é um exercício prático: tente de uma forma, se não de certo, tente de outra.
  • Use a dimensão lúdica das atividades!

Perguntas balizadoras

  • Quantas pessoas podem se abrigar na sua casa?
  • Você tem contatos de emergência para várias situações?
  • Tu tem comida pra quantos dias?
  • Jah tirou passaporte? Vacinas em dia?
  • Como anda seu preparo físico?
  • Você tem ficha médica?
  • Você já montou um procedimento padrão do que fazer em casos especiais (prisão, acidente, etc)?
  • Uma ou mais pessoas do grupo tem treinamento em primeiros socorros?

Exemplo: Uma Rede de Solidariedade Protosindical

  • Pessoas que vivem próximas.
  • Reuniões periódicas: relatorias, discussões, decisões e responsabilizações.
  • Realização de tarefas.
  • Tarefas de exemplo: arrecadação de fundo de solidariedade, treinamento, mutirões, grupos de estudos.

Exemplo: Rede de Solidariedade Criptosindical

Rede de Solidariedade Criptosindical